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■ 07/03/2026 • Política | • 493 hits • 0 comentários ⇣
Bom, antes de mais nada, é importante reafirmar que nenhum sistema é 100% seguro. Mas, ainda que pareça contraditório, sistemas quando bem desenvolvidos são seguros. Sim, apenas não é possível garantir que eles sejam 100% invioláveis. Nesta condição se incluem seu webmail, seu internet banking, seu perfil de rede social ou qualquer outro sistema ou software que já seja criado e testado dentro de uma série de requisitos de segurança - e que os usuários comuns não fazem a menor ideia de que existem.
Mas outra coisa, ainda, é possível garantir: para se invadir um sistema é preciso ser bom. Não é qualquer principiante que consegue aceder indevidamente a um sistema web ou aplicativo através de recursos de máquina - e que é o que a gente, normalmente, imagina, e é, em geral, o que nos mostram os filmes de ficção: caras novinhos que manjam tudo de Informática se utilizando de técnicas e métodos não acessíveis às “inteligências comuns (como nós)”, fazendo aquelas coisas tão incompreensíveis quanto incríveis - mas que, seguramente, não são o padrão dos invasores de nosso dia a dia.
Um dos métodos mais comuns de invasão (e que é utilizado pelos hackers mais “ralé”) é a chamada “engenharia social”, que é nada mais que uma forma de obtenção dos dados de acesso através de sua concessão pelo próprio usuário e que tem como um de seus principais representantes o “phishing”. O phishing (“Pescaria” em tradução livre) é, essencialmente, uma coleta de dados por meio de uma mensagem enganosa qualquer, seja de e-mail, de comunicador instantâneo ou de rede social, e que se baseia na ingenuidade do usuário em acreditar no conteúdo desta mensagem e, em consequência, fornecer suas credenciais de login em uma página falsa acessada através de algum link que ele tenha clicado. Chega a parecer meio estúpido se a gente considerar que o método é manjado e, em geral, as mensagens são alarmistas e cheias de erros de ortografia e pontuação. Mas quem é que se apercebe disso?
Pois bem, as urnas eletrônicas têm sido alvo de ataque verbal incessantemente desde a campanha de Jair Bolsonaro já no período que antecedeu as eleições de 2018. Bolsonaro, que é graduado pela AMAN, até onde ele demonstra, não entende nada de tecnologia. Foi eleito vereador uma vez e, em seguida, sete vezes deputado, sendo, curiosamente, a maior parte delas através das urnas eletrônicas, recurso que o acompanhou também quando da sua vitória para presidente - diga-se de passagem, com a terceira votação mais expressiva até hoje na história do país. Um excelente resultado para quem iniciou a campanha como um azarão, ironicamente proporcionado por esse mesmo sistema que ele sempre fez questão de detratar.
De lá para cá - e graças a Jair -, falar mal das urnas virou “arroz de festa”: a direita política brasileira, particularmente, encontrou em seu achaque uma boa maneira de colocar em xeque a lisura do processo eleitoral. Se a gente vai bem nas pesquisas e perde a eleição, “culpa das urnas!”. Mas se a gente ganha, continuamos falando mal, afinal, “poderíamos ter tido mais votos”. Pura conversa para ganhar eleitor. Mas funciona.
Eu lembro que logo após as eleições de 2018, vi gente nas redes sociais comentando que - mesmo com aquela votação surpreendente - Jair poderia ter se saído melhor. Mas, então, eu me pergunto: como? Bolsonaro conseguiu levar todos os votos da direita e, ainda, de boa parte daquela parcela da população que fica lá e cá (e que é quem decide as eleições). De resto, sobrou a esquerda, que, como eu, jamais votaria nele. Então, de onde sairiam esses outros votos? Claro, de lugar nenhum.
Isso serve para a gente perceber que, mesmo sem lógica alguma, na cabeça do cidadão que não tem o hábito de exercitar a massa cinzenta, criticar algo que não entende e especular fraude fará sempre sentido.
E podemos afirmar que a direita, efetivamente, não pode reclamar de falta de voto: Eduardo Bolsonaro, em 2018, foi eleito por quase 2 milhões de “corajosos”, sendo, para deputado, a votação mais expressiva até hoje no Brasil. Seus irmãos também foram todos eleitos. E junto a eles, uma infinidade de políticos de direita e extrema-direita como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Nikolas Ferreira, Moro, Kataguiri, Tarcísio, Salles, Zambelli, etc., etc. e etc. (e tudo pela urna eletrônica!).
Mas outra coisa que é importante pontuar é o recurso da criação de fantasmas. Jair Bolsonaro (de novo) sempre criticou coisas como a chamada “ideologia de gênero” (que mereceu até um artigo aqui no Contraponto), as vacinas, as urnas (claro), o comunismo (além dos radares, das cadeirinhas de bebê e do golden shower, lembram?) e até a tal da cristofobia, um termo que eu nunca tinha ouvido antes e que, curiosamente, diz respeito à aversão a Cristo num país em que mais de 80% da população se declara cristã. Esse tipo de discurso embute na cabeça do possível eleitor que existe alguém (que surgiu do nada, sem estudo e sem informação) que percebeu esses perigos todos e que agora irá livrá-lo deles. Que bom! Graças a ele... seremos salvos!
Criar fantasmas é preciso; dizer a verdade não é preciso.
E, por mais que não seja um sistema perfeito, com possibilidade de hackeamento, as urnas, até agora ainda estão invictas. Já tivemos situações no Brasil de avacalhamento de voto e de fraudes comprovadas quando a votação era em papel, porém, até o presente momento, fraude em relação ao voto eletrônico, nunca passou de especulação. Eu fui presidente de mesa por quatro eleições seguidas e, para minha sorte, as urnas já eram eletrônicas. O Processo andava sempre mais rápido e aparentava sempre mais preciso e seguro. O maior transtorno acontecia com eleitores mal informados que queriam, por exemplo, votar na seção que não era a deles ou que insistiam em justificar o voto para uma cidade que não teria segundo turno. Mas com as urnas... no problem.
Se não é possível utilizar engenharia social para invadir as urnas então, a única solução funcional seria acessá-la ou por meio de um conhecimento prévio ou através de alguma brecha em sua programação, mas isso apenas seus desenvolvedores poderiam fazer.
Mas tem gente que não entende nada de sistemas, nunca digitou uma linha de código e que insiste em dizer que desconfia das urnas sem nunca explicar exatamente o porquê. Basta-lhes a desconfiança. Basta-lhes a preguiça mental de achar que há algo nebuloso sendo feito feito por um alguém em algum lugar e que não se tem a menor ideia de quem seja mas que, volta e meia, sempre garante a vitória a alguém do partido adversário. Curioso, não?
E veja que após o término das eleições de 2022, quando Bolsonaro ainda era presidente, o próprio Ministério da Defesa examinou as urnas eletrônicas e não encontrou nada (o Ministério da Defesa no governo Bolsonaro!), mesmo tendo sugerido desconfiança em relação ao tema. Mas se, de fato, existe a possibilidade de fraude, quem teria feito isso? Se existe um grupo de pessoas capaz de efetivar essa ação, onde estão essas pessoas? Em Brasília? Na Bahia? Em São Paulo capital dentro de um QG? E quem e quantas são? Como elas agem? E como isso não vazou? Como conseguiram manter tudo em segredo até hoje?
E como isso passou incólume durante quatro anos seguidos por todo o governo Bolsonaro (que é justamente quem mais criticava o voto eletrônico) sem ter havido nenhuma investigação e sem nada ter sido descoberto?
Eu gostaria de saber as respostas para essas perguntas todas pois me enche de curiosidade tentar entender a engenhosidade dessas atuações. Quem parou só de desconfiar e já tem essas respostas, por favor, não coloque aqui nos comentários. Faça melhor: vá até a Imprensa ou à Polícia Federal e entregue essa gente toda dando os detalhes de suas ações. Ao invés de ficar só no discurso, vá até Polícia e prove. O Brasil quer saber.
E esse tal de Lugar de Fala realmente tem lugar?
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