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■   27/04/2025  •  Política  •  1189 hits  •  0 comentários ⇣

Perdeu, Mané! - Anistia, não!

O caso da Débora Rodrigues, que ficou conhecida como "Débora do Batom", com certeza, é um dos mais emblemáticos relacionados à tentativa de golpe de Estado do conhecido "8 de janeiro" ou, dizendo melhor, foi um dos que mais redundou em apelo e resultado de mídia. Talvez porque Débora seja mulher, ou porque ela é mãe de dois filhos pequenos ou, meramente, porque o crime de “escrever uma simples frase” numa estátua parece algo muito banal e sem nenhum tipo de consequência mais relevante. 


Débora já completou pena de dois anos e, segundo se sabe, está cumprindo provisoriamente o restante em casa, com tornozeleira eletrônica e com diversos tipos de restrição social, aguardando a condenação definitiva, o que pode fazê-la voltar à prisão carcerária, pelo que deu para entender. 


Participaram do julgamento de Débora os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Luiz Fux, com estes dois últimos sugerindo uma pena menor que os 14 anos propostos pelos três primeiros e entendendo como motivos principais para a pena o cometimento dos crimes de: 
• associação criminosa armada, 
• tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, 
• golpe de Estado, 
• deterioração de patrimônio tombado e 
• dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União. 


Só de ler estes termos já dá medo. Acho que uma parte daquela turma de depredadores não sabia exatamente em que enrascada estava se metendo. Neste tipo de desordem sempre existe a figura do "idiota útil" (lembram-se do Patriota do Caminhão?), aquele cara que, concordando com o motivo no qual a ação se baseia, acaba seguindo a postura dos demais. Mas não digo, com isso, que aquela balbúrdia estava composta por criminosos conscientes (os protagonistas) e inocentes estúpidos (os coadjuvantes) - como se estes últimos fossem pessoas "ardilosamente" enganadas pelos condutores daquela real tentativa de golpe. Não havia inocentes. 


O que havia, dá para se afirmar com tranquilidade, era um grupo semiorganizado de indivíduos conscientes movidos por um ideal revanchista e de "libertação" para a retomada do governo anterior. Isso estava claro. Muito diferente do que já se afirmou: de que "era um grupo de pessoas que estavam passando por ali e que tinha também em sua formação, idosas com uma bíblia na mão". As pessoas não estavam passando por ali. Se reuniram. E havia idosas, sim... e idosos e adultos e pessoas de idades diversas, todos já com um objetivo definido: romper com a ordem democrática e instaurar um golpe de Estado. 


Lógico, aqueles baderneiros ali não iriam consumar o golpe de Estado, mas seria o estopim para uma ação maior, um clamor para a participação do restante da população bolsonarista e das Forças Armadas. Seria a chama que acenderia a revolução.
Seria... mas não foi.
Essa ação, que se enquadra em todas as qualificações de crime definidas por Alexandre de Moraes, foi muito grave e justifica as penas que foram impostas a seus integrantes. São penas excessivas? O que diriam os bolsonaristas se os petistas tivessem feito o mesmo em 2109, após a vitória de Bolsonaro? Pediriam anistia?


Voltando a Débora, quando escreveu a citada mensagem "Perdeu, mané" (na verdade, "PERREU MANÉ", um misto de agrafia emocional com um pouco de ódio disfarçado de "libertarianismo cristão", se é que isso existe), ela estava motivada pela sua convicção de que mandaria Lula "para o espaço" e salvaria o Brasil(?), junto com os outros milhares de baderneiros presentes. Para ela, uma boa causa. Para o País, um desastre político. 


Mas é importante ressaltar que (como comentado por uma jornalista da Globonews) todos os presentes naquele movimento foram igualmente responsáveis pela tentativa de golpe. Não tem como dizer que um é ou não mais responsável que o outro e que, portanto, merece uma pena mais leve ou mais severa. Raciocine: ninguém que estivesse ali sozinho se sentiria encorajado para cometer aqueles crimes. Os indivíduos mais exaltados precisaram de apoio psicológico e aquela vasta de gama de participantes proporcionou isso. 


Toda aquela turma reunida (ou seria "turba"?) impulsionou a turma reunida. Aquela tentativa de golpe só aconteceu em virtude da reunião e apoio mútuo daqueles milhares de presentes, em que um, a todo momento, escorava e impulsionava o outro. 


Portanto, são todos igualmente culpados e devem ser punidos da mesma forma. 


E não faz sentido se atenuar penas em virtude de caracterísicas individuais que possam vitimizar quem participou do ato. Se havia idosos, os idosos tinham consciência suficiente e sabedoria de idoso para entender que aquilo, além de uma balbúrdia, era uma tentativa de golpe. O mesmo vale para pais e mães de família, como a Débora: se existia uma necessidade de se proteger os filhos, que se evitasse participar daquele crime contra a Pátria (ser pai ou mãe de família não é passe-livre para se cometer delitos).


No momento do ato, são todos heróis. Após o ato dar errado, viram todos coitados. 


Resta agora se descobrir exatamente quem foram os mentores e... enquadrá-los. Essa aglomeração de gente, ironicamente vestida de verde e amarelo e cometendo um crime contra a Pátria, não surgiu por acaso. Não estavam passeando e, DE REPENTE!.. resolveram depredar (diga-se de passagem, depredar o patrimônio que o dinheiro - que eles (e nós) pagaram através de impostos - ajudou a construir). 
Portanto, SEM ANISTIA para os mentores, SEM ANISTIA para os atores! 


Mas se é para esquecer da seriedade e clamar por anistia, 
melhor seria, então, se tratar com ironia. 
Finalizo esse textão, sem batom nem agrafia, 
mas com um pouco de emoção em formato de poesia: 


Lá estavam passeando na Brasília ensolarada, 
com as cores do Brasil em suas camisas e bonés. 
A revolta estava em suas faces estampada, 
e sentindo-se no poder dos antigos "coronés". 
Botou o Congresso abaixo aquela massa ideologizada, 
com patriotas quebrando a pátria a pauladas e pontapés. 
A estátua desarmada, de então, se viu pichada 
pela cor do batom forte carregado de viés. 
A porrada disfarçada de defesa da família 
mostrou o quanto falsa era aquela falsa boa-fé. 
Mas eis que, inesperadas, surgem, então, nossas Forças Armadas 
restabelecendo a ordem, sem carinho ou cafuné. 
Sem anistia, agora, pagam pela pátria depredada, 
a Maria, o João e o José. 
Permito-me agora uma asserção em regozijo à pátria retomada: 
Perderam, Manés! PERDEU, MANÉ! 
(desta vez, com as letras corretas e a vírgula no lugar). 


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