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■   31/03/2026  •  Política  •  462 hits  •  0 comentários ⇣

Eleições 2026 - É o começo do fim do PT?

Este texto tem prazo de validade, que expirará em outubro de 2026, momento, claro, em que acontecerão as nossas tão aguardadas eleições presidenciais, que já estão mais polarizadas que uma bateria alcalina de nióbio-chumbo-lítio-cádmio-zinco em estado zero-bala. E o motivo dessa polarização, como nunca se viu tão acirrada, se deve aos dois movimentos ideológicos mais significativos dos nossos últimos tempos: o petismo e o bolsonarismo. 


Não cabe aqui dar um histórico dessas coisas (e nem precisa) porque todo mundo que vota, já ouviu falar e já tem, mais ou menos, uma posição definida sobre elas. O petismo se confunde com a figura de Lula da Silva e o bolsonarismo, claro, com a de Jair Bolsonaro. 


No caso do petismo, nós brasileiros já fazemos essa associação desde antes de 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez - tendo perdido outras três vezes antes. Isso significa mais de 30 anos passados desde quando Lula começou a se consolidar como a imagem da esquerda no país - e sempre pelo mesmo partido, o PT. 


Já Jair Bolsonaro, nunca representou nada (mas nada mesmo) de significativo na política nacional mesmo tendo sido eleito deputado repetidas vezes. Sempre teve visibilidade inexpressiva o que, curiosamente, mudou, quando do período das eleições de 2018, fazendo-o despontar, inicialmente, como uma espécie de “tiro no escuro humano”, mas que aparentava incorporar bom potencial eleitoral. Ao contrário de Lula, Jair mudou de partido várias vezes no decorrer de seus mandatos, o que nos sugere que, ou ele achava que nenhum partido em que entrou prestava ou eram os partidos que achavam isso dele (e eu tenho uma ligeira sensação de que as duas proposições... são verdadeiras). Esse nomadismo partidário revela alguém com pouca (ou nenhuma) adaptabilidade às adversidades, o que acabou demonstrado em suas posturas altamente intransigentes depois que assumiu, em 2019. 


Mas uma coisa muito particular acabou se revelando nessas duas situações adversarizantes desses dois políticos eternamente adversários: um gerou sucessores, enquanto o outro, não. 


E isso é um grande problema, e mais para um lado do que para o outro. O bolsonarismo, mesmo com pouco tempo de existência, conseguiu superar com facilidade a esquerda nesse aspecto, talvez porque passou a representar com assertividade uma direita meio recalcada que ainda não tinha uma muleta, não tinha “aquele cara” que chegava de frente, meio que batendo em todo mundo e dando a cara a tapa ao melhor estilo “quero ver quem vai encarar!”. Pois Jair Messias se tornou essa pessoa. Então, depois de 4 governos seguidos do PT, a direita renasceu. 



Eleições de antes
 


O Partido dos Trabalhadores, desde quando ganhou a primeira eleição presidencial, se tornou Lula. Mesmo tendo eleito prefeitos e governadores e colocado a insípida e controversa Dilma, também na presidência (e à sombra de Lula, diga-se de passagem), a imagem de Luís Inácio continuou sendo a cara do partido. E isso nunca foi desvinculado e nunca amadurecido. O PT se fossilizou. 


E com muita dificuldade e aperto conseguiu se sair vitorioso na eleição de 2022. O PT, mesmo após o estrondoso sufrágio de Jair em 2018, conseguiu eleger Lula pela terceira vez. E Bolsonaro, por culpa de sua própria e repelente intransigência, transformou seu sufrágio em naufrágio - e nunca conseguiu enxergar isso. 


Mas miopia não é privilégio de uma vertente política apenas. O PT, passados tantos anos e com história de vida bem maior que a do bolsonarismo, não conseguiu criar um sucessor para Luís. Ainda que existam possibilidades, nenhum tem o mesmo carisma (pelo menos para quem é de esquerda ou simpatiza com ela) e nem o mesmo cacife eleitoral. Fechado na figura do “barbudo”, o partido, aparentemente, esqueceu que todos nós somos finitos e que Lula também não vai durar para sempre. Para não dizer que, ainda que continuemos vivos, nem sempre estamos com vigor físico quando alcançamos mais idade e, portanto, para um público votante, um cara etariamente mais avançado não tem mais serventia para ser candidato. A não ser para uma aposentadoria. 



Eleições de agora 


Guilherme Boulos, antenado, inteligente e safo, seria a opção, em minha opinião, que teria capacidade de ser o novo representante da esquerda no país. Mas Boulos tem pecha de radical. É o cara dos sem-terra. E a parte mais central do eleitorado não engole muito isso. O PT, portanto, vivendo a figura do Lula salvador, perdeu o timing nessa passagem de bastão. Vamos lembrar que Luís Inácio só foi eleito depois que se transformou em “Lula-lá”, o Lulinha Paz & Amor. Passou a ser digerível para os votantes de centro. Mas agora, o tempo se esgotou. Se perder essas eleições, será que vai conseguir repaginar um outro alguém para as próximas (algo como um Boulos com chantilly - com o perdão do trocadilho)? 


E Haddad, coitado, apelidado de Taxad, não tem expressão e nem boa visibilidade popular, mesmo já tendo concorrido à presidência uma vez. Ele é o cara das taxas: das blusinhas, do Cofins, das criptomoedas, da taxação da folha de pagamento das empresas, etc., enfim, o taxa-tudo. É o cara que só faz o contribuinte achar que a esquerda tem obsessão por imposto e que, ao invés de sanitizar os gastos públicos, se empenha em cobrar mais do pobre cidadão que já paga tributo demais para sustentar a máquina. Sempre há um argumento para justificar, mas que só a esquerda engole. Taxad, o “impostor”, é mais queimação de filme do que vitrine e, para mim, foi um dos caras que ajudaram a comprometer a imagem do governo Lula. 


Mas se Flávio Bolsonaro for realmente o candidato da direita nacional e ganhar, provavelmente vai conseguir se reeleger porque não vai repetir os mesmos erros do pai. Será mais astuto. Flávio já disse ser contra a reeleição, mas o pai também disse isso antes de ser eleito e... tentou se reeleger. Só não conseguiu porque minou o próprio mandato durante os 4 anos. Num país que tem a tradição de sempre reeleger candidatos do executivo, Jair cometeu uma grandiosa estupidez. Qualquer outro, no lugar dele, se reelegeria (tanto que até Dilma conseguiu). Não precisava nem fazer o terrorismo das urnas. 


Ao contrário do petismo, porém, o bolsonarismo deu frutos. Os quatro filhos homens de Jair (que, obviamente, são bolsonaristas, tendo em Flávio o mais capaz), foram todos feitos políticos. E além dos seguidores hereditários, foram criadas outras raízes, que se espalharam pelo país adentro. Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Nikolas Ferreira, por exemplo, são nomes visíveis da direita no Brasil e que, guardadas as disputas internas no clã dos Bolsonaro, podem gerar candidaturas para a presidência com, pelo menos, alguma expressão. E isso tudo aconteceu dentro de um período de menos de 4 anos. 


Então, onde estão os outros possíveis candidatos à presidência pelo PT? 



O PT não se comunica 


O Partido dos Trabalhadores não aprendeu as linguagens modernas. O partido ainda parece estar na era do panfletinho. Não parece saber que já existe televisão, internet, redes sociais, etc. Coisas que a direita conhece muito bem e que tem utilizado, desde as eleições de 2018, vale ressaltar, com bastante sucesso. 


Não dá para aceitar que, ao lançar alguma nova medida, ou algum imposto qualquer, o governo petista seja incapaz de estruturar essa comunicação e espalhar pela internet e redes evitando que a direita se antecipe (e fazendo tudo com expertise) deturpando as informações. O eleitorado de direita é facilmente impactado por este tipo de intervenção midiática e se torna um vetor de retransmissão ingênua de tudo o que recebe, e de maneira gratuita e eficiente. 


Mas o PT prefere atacar a Rede Globo, que, por sinal, ganhou bastante dinheiro de publicidade no governo Lula. Para os petistas, a Globo, também chamada de Globolixo pelos bolsonaristas, é uma de suas maiores inimigas. Coitados. Não percebem que a emissora, quando questiona o partido, está dando a ele uma ótima oportunidade de apresentar a sua versão - e em um veículo de alcance nacional - e que os maiores inimigos da esquerda têm outros nomes: X, Facebook, Instagram, WhatsApp, Youtube, Telegram, etc., ou melhor, há pessoas que entenderam que essas redes sociais são a bola da vez para se espalhar boatos e fazer política de maneira veloz, eficaz e de baixo custo, mesmo que suja. 


Mas de uma esquerda que parou em Karl Marx, Revolução Russa, Che Guevara, Stalin e Fidel Castro, e que acredita no caráter e nas intenções de autocratas como Nicolás Maduro, Vladimir Putin, Kim Jong-un e Xi Jinping e, ainda, que acha que as classes mais pobres ainda estão preocupadas com a chamada “luta de classes” só se pode esperar obsolescência. 


Enquanto a direita bolsonarista, em segundos, acessa os celulares de seu público eleitor e ainda as mídias de massa, espalhando toda a sorte de notícias de caráter duvidoso, a esquerda pede a Karl Marx para explicar a mais-valia. Valia, mas não vale mais. 


Enquanto a direita golpeia sorrateiramente a esquerda por baixo, esta vem por cima e ataca a Globo. Massa... 



Status em queda 


Da grande parte das pesquisas que já vi, ou colocam Luís Inácio emparelhado com Flávio ou dão vantagem ao bolsonarista. Em poucas delas Lula aparece na frente. Essa vantagem, claro, depende da quantidade de eleitores em cada estado e não estritamente da quantidade de estados ganhos, mas preocupa. 


A única pesquisa mais positiva para Lula até o momento foi a do Datafolha, feita no início de março. Segundo se divulga, o Datafolha tem o mérito de nunca ter errado nenhuma pesquisa para presidente. Mas segundo a Paraná pesquisas eles empatam no primeiro turno e desempatam no segundo, com vantagem para Flávio. Para não dizer que, se os outros possíveis candidatos são alinhados à direita, no segundo turno, provavelmente, vão transferir os votos para o candidato bolsonarista. Só que ainda é cedo. A campanha, oficialmente, ainda não começou e a gente ainda não tem certeza dos atores envolvidos e que papel cada um vai assumir, tanto em termos de candidatura quanto de apoio. 


Enquanto isso, o já quase cinquentenário Partido dos Trabalhadores terá que, por enquanto, lidar com o respingo do escândalo do INSS e da guerra pelo petróleo entre Trump e o Irã, para não falar da impressão não muito positiva que a população está tendo sobre o governo. E outra: aparentemente, Lula não tem assessoria de comunicação. Pelo menos, é o que deixa transparecer pelo excesso de bobagens que tem falado, que agradam aos petistas mas que não agradam ao resto da população. O Petista só fala para o seu público e os petistas não enxergam isso - mas o resto do eleitorado, sim. O Governo, se almeja reeleição, precisa apender a se comunicar com a população, como a direita já faz e muito bem. 


Partido sem sucessor, presidente falando o que não deve, cobrança de impostos excessiva, problema de comunicação com o público... E uma direita que aprendeu a conversar com seu votante de maneira ardilosa e surpreendentemente eficiente. 


Se o PT perder essa, será o fim? 


 


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