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■ 28/03/2025 • Sociedade • 1162 hits • 0 comentários ⇣
Que Elon Musk é o cara mais rico do mundo (quase) todo mundo sabe e, definitivamente, estar nessa condição não é pouca coisa, principalmente se a gente considerar que a quantidade de pessoas no planeta está sempre aumentando e que a quantidade de ricos... também.
Assim, não há como não levar em conta que o polêmico dono da Tesla, de fato, tem talento para os negócios, mesmo sabendo que ele vem de uma família de boa condição econômica e que isso, claro, o ajudou a já lhe permitir, no início de sua carreira, uma boa posição social - mesmo que, nem de longe, essa condição fosse equiparável à sua fortuna atual. Mas se tornar milionário, dentro do meu entender, não é uma coisa banal. Imagino que uma "bença" dessa só possa acontecer de uma forma fácil por um desses três motivos: ou a gente já nasce assim ou ganha na loteria ou entra para a política. No caso do sul-africano, este teve que estudar e investir em negócios desde cedo e só depois de vários anos, segundo se sabe, com a venda de sua primeira empresa foi que se tornou rico. Seu milionarismo, então, não caiu do céu.
Mas se Musk tivesse se contentado com o que conseguiu até aquela época, poderia ter aplicado seu dinheiro no banco e isso (acredito eu) já poderia lhe proporcionar um tranquilíssimo resto de vida. E eu tenho certeza que muita gente no lugar dele faria exatamente isso: aplicaria o dinheiro e viveria comodamente de juros bancários - e curtindo a vida adoidado (que nem naquele ótimo filme de comédia que eu já assisti umas três vezes), sem culpas e sem medo de ser feliz.
Mas mais que um cara afeito a ter filhos com nomes esquisitos e, a despeito de extremamente controverso, Elon Musk parece sempre um eterno obstinado, alguém que não se contenta com a simples existência e que quer estar obrigatoriamente - e visivelmente - à frente das coisas, senão da própria humanidade (humanidade, neste caso, pode ser sinônimo de os habitantes do planeta Terra ou, então, de seu particular sentimento de compaixão, este que a gente sempre fica na dúvida se ele realmente o tem).
Musk, além de acionista principal da Tesla (empresa que ele não fundou), ainda é dono da SpaceX, do X (ex-Twitter) e do X AE A XII (ôpa, esse é o nome de seu 7º filho, errei!). Mas, brincadeiras à parte, “Teslon” ajudou a fundar diversas outras empresas que, de uma maneira ou de outra, auxiliaram na construção de seu enorme patrimônio. E DE SUA FAMA.
E a busca pela fama, pelo que deixa transparecer, é uma das coisas que mais dão sentido à sua vida. Ao que tudo indica, é aí onde ele se encontra. É o seu cantinho. Se fosse apenas pelo dinheiro, Teslon poderia enriquecer levando uma vida muito mais discreta, como fazem outros mili/bilionários que a gente só ouve falar quando... sai a lista anual dos mili/bilionários deste pobre mundinho de muitos ricos - mas com milhões de pobres - que, com razão, não gostam de se expor nem para ladrões, nem oportunistas e nem sequestradores.
Mas tem outro ponto: Elon X tem se revelado um cara não só de direita mas de eXtrema-direita, a ponto de se sentir à vontade para fazer o conhecido e inconfundível gesto de saudação nazista na posse de seu amigo político de negócios, o Donald Trump. Musk nega, mas ficou na cara que realmente era. Só não enxergou quem não quis ver. Esse gesto infeliz, inclusive, tem lhe custado um declínio em sua reputação e na própria imagem da Tesla em si que ficou Xtremamente queimada, o que acabou ocasionando uma considerável perda na rentabilidade de sua fábrica de EVs. E V pra crer.
Ok, Elon pode ser um cara obstinado pela grana, como tantos outros milionários para os quais o dinheiro importa muito, mas intriga o fato de ser muito contraditório. Ora, um cara que gosta de dinheiro pode, simplesmente, dizer: “Olha, cara, eu adoro dinheiro. E é por isso que eu passo a vida inteira correndo atrás dele.”. Isso é coerente. Mas ninguém precisa se mostrar como o papa dos veículos elétricos (porque se preocupa com a questão ambiental) e da inteligência artificial (como recurso de acesso gratuito para o bem da humanidade), além de se posicionar a favor de uma renda básica universal, ao mesmo tempo em que se mostra arrogante demitindo desmesuradamente funcionários de suas empresas (como fez no X) e do serviço público (como fez no DOGE) e fazendo declarações e tomando posturas polêmicas a ponto de ter a sua identidade de pai negada pela própria filha trans.
Ao que parece, Mister M, aliás, não, Mister X, esse inquestionável mago dos negócios com X (Mister M era o mágico preferido de Cid Moreira), adora alta rentabilidade financeira e tem talento para a coisa, ainda que a lisura de suas posturas faça esse talento parecer uma coisa questionável. Em minha opinião, contudo, ser bom nos negócios também envolve sagacidade e ações de caráter duvidoso. Não só isso, mas pode ter isso. E não quer dizer que eu concorde, apenas acredito que isso também existe no mundo dos negócios.
Mas o X da questão é: Musk precisa estar visível. Não é apenas sobre ganhar dinheiro, ele precisa aparecer. Ser o centro das atenções, ao que parece o satisfaz, o completa. Dar declarações polêmicas, fazer gestos polêmicos, se mostrar como o criador e proprietário das coisas que administra, enfim, aparentar um ser humano fora do comum, o bambambam, o cara - mesmo que isso crie uma imagem ruim para si e para seus negócios. Como eu coloquei antes, ele poderia ser o que fosse, mas sem precisar ser manchete. Muita gente vive feliz assim, na surdina e usufruindo do que espera da vida, tendo incoerências mas sem precisar evidenciá-las para o resto do planeta.
Elon Musk, Elon X, X Musk, ou seja lá como o empresário poderia ser chamado, com suas atitudes passa a ideia de um sujeito narcisista e, ao mesmo tempo, eternamente em conflito com sua imagem. Um indivíduo dividido que, ao passo que demonstra alto grau de autoconfiança (a ponto de se achar inatíngível), necessita ser percebido para se sentir valorizado. Um negociador maduro e eficiente e, paradoxalmente, um humano imaturo e sempre carente de atenção.
Possivelmente, como definiu sua filha trans, "um homem-criança patético" - um cara que, apesar do forte talento para multiplicar dinheiro, um alguém que precisa ser notado para se sentir... um alguém.
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